SafeIn Segurança de Processo

Blog

Texas Chemical site

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Email -- 0 Flares ×

 

Olhando os vídeos relacionados com a Texas chemical site fiquei muito surpreso com a quantidade de acidentes que estão ocorrendo neste local. Um país que está cercado de instituições e normas que são um exemplo para o mundo (CSB, OSHA, NFPA, ASME…) e, no entanto, estamos vendo uma série de catástrofes, as quais jamais deveriam ter ocorrido. Ao longo dos vídeos comecei a ver os problemas básicos de segurança de processo, são eles:

1) Comunicação: Nitidamente, tanto a mídia quanto  o staff das empresas preocupados excessivamente com o meio ambiente e esquecendo as pessoas envolvidas. Receberam os repórteres como se fosse um favor e a comunidade apavorada sem nenhum esclarecimento. Neste vídeo que postei não é possível ver este desvio com clareza.

2) Análise de risco: Se tivessem aplicado o Hazop com cenário SIL de maneira correta, para mim o mais importante pilar da segurança de processo, não veríamos este tipo de cenário e se caso alguma perda de contenção ocorra devido ao risco mínimo que sempre fica após a instalação das malhas de segurança, será debelada com certa tranquilidade. Especificamente em tancagens, onde os tanques estocam hidrocarbonetos na presença de ar, durante a análise e risco vai ser identificado a possibilidade de explosão devido a existência de uma fonte de ignição e a quantificação será de pelo menos um SIL2. Uma vez identificado o perigo e quantificado o risco, trabalha-se para achar a solução para minimizar o risco para níveis praticamente zero. A ordem para desenho do sistema de proteção é sempre intrinsecamente seguro, se não for possível deve-se instalar a proteção mecânica, em caso de impossibilidade deve-se implantar a malha SIS e finalmente o procedimento operacional.

2.1) A solução intrinsecamente segura devemos trabalhar no triângulo do fogo. A primeira tentativa é eliminar o ar do sistema,  se não for possível deve-se eliminar as   fontes    de   ignição   existentes  ( estática, raios, soldas…). No total são 13 tipos de fontes e precisamos verificar quais são pertinentes para o nó em questão. 

2.2) Se a solução intrinsecamente segura não for suficiente para atender o SIL2, deve-se implantar a solução de proteção mecânica. O que fazem é criar um teto que rompe quando a explosão interna ocorre evitando o colapso do tanque, mas o incêndio acontecerá e poderá iniciar o aquecimento de outros tanques próximos. Neste caso, um sistema de supressão deverá estar disponível como injeção de espuma na superfície.

2.3) Se os itens 2.1 e 2.2 não forem possíveis de serem implantados ou não conseguem atingir o SIL2 deve-se implantar a malha SIS. Neste caso seria um sensor de explosão como é feito em explosão de pó e um sistema de injeção de espuma ou CO2 ou N2 seria acionado automaticamente para eliminar a explosão.

2.4) Se os itens 2.1, 2.2 e 2.3 não forem possíveis de serem implantados ou não conseguem atingir o SIL2 deve-se implantar o procedimento operacional que neste caso, não tem o que fazer a não ser acionar o alarme e evacuar a unidade.

3) Aprender a partir da experiência: Se vocês forem olhar os acidentes deste site chegarão rapidamente na conclusão que a lesson to be learned não está sendo praticada. Simplesmente assumem que acidentes podem ocorrer com este tipo de atividade e hoje sabemos que com os recursos existentes podemos evitar estes cenários.

4) Sistema de supressão mal dimensionado: Quando o item dois falha, normalmente este item também irá falhar, pois os cálculos serão encima de critérios de quantidade de combustível presente, o que é muito pouco para o dimensionamento correto.

Depois de tudo isto que foi exposto acima eu me pergunto: O que motiva estas empresas a não implantarem a segurança de processo? Além de garantirem a produção da unidade, protegem as pessoas (colaboradores e vizinhos), protegem o meio ambiente e o seu patrimônio. Em adição a tudo isto, a empresa que implanta as malhas de segurança tem o direito de exigir a redução do valor pago à seguradora, o que certamente paga todo o investimento em segurança de processo. Países como a Holanda e Alemanha já entenderam que safety is always a good business e, portanto, não medem esforços para implantar a segurança de processo. Quem sabe um dia conseguiremos ver os outros países seguirem o mesmo caminho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Email -- 0 Flares ×